algumas reflexões sobre 2020

Ah 2020, você não foi fácil, mas definitivamente eu aprendi muitas coisas.

Quando tudo parecia seguro, você arrancou todas as certezas de muitos de nós sem nenhum aviso prévio.

Uma pandemia…

Eu nem lembrava direito o que diabos era uma pandemia, só sabia que muita gente morria.

E era essa a notícia que nós tínhamos, mas era somente no exterior.

“Não vai chegar aqui no Brasil!” muitos de nós pensávamos otimistas ou eu deveria dizer ingênuos?

Chegou aos poucos, mas chegou. A medida em que avançava os números nos jornais foram se transformando em nomes de conhecidos.

Eu me lembro como se fosse ontem: no dia 8 de março, um domingo, fizemos uma reunião por causa do meu aniversário. Estávamos todos juntos, felizes e nos abraçando. Foi lindo.

Alguns dias depois eu ouvia e sentia o pânico dos meus familiares e dos vizinhos comentando: deram uma ordem! ninguém pode sair da cidade!

Era a quarenta começando.

Pensei que, por ser introvertida e amar ficar em casa, as coisas seriam mais fáceis. Me enganei. Não era uma escolha minha ficar em casa, era uma regra, uma imposição e isso pesou. Tirar a nossa liberdade de escolha é algo que me tira do eixo.

Sim, estou de quarentena há 8 meses saindo apenas quando é extremamente necessário e usando todas as medidas possíveis para me proteger e proteger aqueles que amo.

Tem que usar máscara. Não pode abraçar ninguém. Tantos metros de distância! Tem que usar álcool gel em tudo!

Nós começamos a dar banho de álcool em tudo. E, ainda assim, quem disse que isso me fazia sentir segura? Não mesmo. Aí que eu ficava mais apavorada ainda.

Me sentia segura e reconheço o meu privilégio de ficar em casa e sou imensamente grata por meus familiares também conseguirem ficar isolados, mas a consciência pesava pensando nos que não podiam.

Sabe aquela frase “somos todos um”? Não é só uma frase bonita, ela é real. Pra os empatas então, ela grita.

E eu pensava repetidamente: meu Deus o que nós fizemos com esse planeta? a que ponto nós chegamos!

Então eu comecei a sentir um pânico que nunca tinha sentido na minha vida, um desespero absurdo.

As crises de ansiedade foram ficando comuns e um dia eu realmente achei que iria morrer. O coração batia a milhão e eu repetia: vai ficar tudo bem.

Em 2020, definitivamente, eu aprendi a pedir ajuda. Eu vi que sozinha não conseguiria sair de onde eu estava e eu desesperadamente pedi a ajuda a todos que eu poderia.

E a ajuda veio de cada um do jeito que cada um poderia me ajudar.

Em uma das crises eu fui até a casa da minha prima e sentei perto dos meus afilhados. Ela me deu um chá de camomila e enquanto eu olhava tudo ali o que vinha na minha cabeça foi que tudo o que me faltava era me sentir um pouco querida e cuidada.

Desde que a minha mãe faleceu em Outubro do ano passado eu nem lembrava direito como era me sentir assim.

Não poder abraçar as pessoas que eu mais amo, logo eu que adoro abraços, foi uma das piores coisas desse ano.

Mas eu seria ingrata se dissesse que no meio do caos não houve beleza.

Eu me emocionei inúmeras vezes quando vi o quanto nós somos capazes de nos reinventar e de aguentar coisas que não fazíamos ideia. Nós somos fortes. Muito fortes.

Eu não vi só o pânico, o medo e a tristeza, eu vi, também, a união, a empatia, o amor ao próximo, a gentileza, a resiliência, a coragem!

Hoje, depois de 9 meses eu ainda me pergunto:

Quando sai essa bendita vacina?

Quando eu vou poder simplesmente sair na rua sem máscara, sem medo?

Quando eu vou poder abraçar todo mundo que eu amo de novo?

E por mais otimista que eu tente ser, as respostas que chegam ainda não me convencem totalmente sobre uma data.

A minha espera ainda continua. Parece que a tal solução ficou para 2021.

Eu sei que fui ingrata inúmeras vezes e reclamei muito esse ano. Outras vezes eu perdi as esperanças e me desesperei, mas hoje eu vejo o quanto eu cresci graças a tudo que passei.

Tudo que eu sei neste momento é que eu não sou a mesma Viviane que começou 2020 e ainda bem.


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