Verdades que ainda preciso enfrentar

Na primeira semana do ano eu já tive a (re)afirmação de algo que sei faz bastante tempo: é impressionante a importância da terapia na minha vida.

Por mais “rebelde” que eu pareça por fora algumas vezes e aja de acordo com o que acredito, descobri que a boazinha que quer ser aceita ainda tem um lugarzinho dentro de mim.

Por mais que eu aja de acordo com o que minha alma pede e tenha convicção de que é o melhor pra mim, parece que não é suficiente algumas vezes.

E nessas horas ainda vem a culpa por decepcionar ou magoar os outros.

Tem dias que eu ainda ouço algumas vozes, até bem familiares, dizendo que se eu não fosse boazinha para os outros eles não iriam gostar de mim ou, ainda, se eu não obedecesse, agisse como “deveria” era feia e má.

Eu nunca quis ser chamada de má ou rebelde. Essa é a verdade.

Mas fui.

E foram várias e várias vezes.

E eu me magoei mais do que eu poderia imaginar ou, melhor, mais do que eu conseguia me lembrar.

Muitas vezes, inclusive, fui além dos meus limites para não ser má para os outros. Só que nessas horas eu estava sendo má para a pessoa que eu nunca deveria ser: eu mesma.

O que eu queria?

Ser amada. Ser aceita. Queria ouvir que eu era uma boa menina.

Eu briguei muito para tentar calar aquelas vozes todas me julgando sempre como insuficiente.

Eu aprendi a impor a minha vontade e agir, na grande maioria das vezes, de acordo com o que acho o melhor pra mim, só não descobri ainda como fazer isso com zero culpa.

É um processo que ainda preciso continuar.

Talvez um bom atalho seja pensar que não importa como eu aja, ou o que eu faça cada um vai ver como tiver que ver e julgar como tiver que julgar.

Nós não podemos controlar quem vai nos ver como realmente somos ou não.

Nós não temos sequer como saber se ainda que as pessoas vejam o nosso melhor elas vão gostar ou aceitar.

O que nós podemos é continuar o exercício não de exterminar a boazinha de dentro de nós, mas dar o amor que ela sempre mereceu.

A má notícia é que aquela menininha que oferecia tudo de bom que tinha e ainda assim não era suficiente não foi acolhida e nem curada como deveria. Ela ainda continua aqui querendo ser vista, aprovada e amada.

A boa notícia é que quem pode dar isso tudo a ela sou eu mesma afinal eu conheço ela mais do que ninguém e eu sei que ela sempre fez o melhor.


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