Palpites não solicitados

Um dia desses eu estava feliz da vida parada tomando um Solzinho e aproveitando um dia quente depois de vários meses trancafiada em casa e uma senhora (que eu nunca vi nessa minha vida) surgiu do nada me abordou com tom desesperado:

– menina, sai desse Sol!

Eu sorri e disse:

– Não não. Eu amo o Sol!

Ela deu uma gargalhada e completou:

– Nossa, eu odeio e até passo mal! Fujo dele! Prefiro Chuva!

Depois dessa breve conversa sem pé e nem cabeça eu continuei lá no meu amado Sol e ela foi embora rindo.

Agora vem a pequena reflexão que isso rendeu só hoje, alguns dias depois do acontecido:
Já repararam em como nós às vezes queremos saber mais do que é melhor para a vida dos outros do que eles mesmos?

Isso soa até meio arrogante se a gente for parar pra pensar.

Se muitas vezes ficamos em dúvida até sobre o que é o melhor para nós imagine então ter a petulância de querer saber sobre o que é melhor para os outros…

O exemplo do que eu vivenciei pode até parecer meio bobo, mas quando eu fui parar pra pensar reparei que isso é bem mais comum do que parece e fui lembrando de várias situações bem semelhantes.

Acho que isso acontece, principalmente, quando vemos aqueles que nós amamos indo por um caminho que, para nós, parece que não é o melhor e, na tentativa de ajudar e com as melhores intenções, acabamos dando opiniões que nem foram pedidas sem respeitar o direito de escolha dos outros.

E que atire a primeira pedra quem nunca quis ajudar dando um conselho, não é?

Por aqui, sozinha com a minha consciência e com as minhas memórias, eu ainda vou continuar refletindo sobre essa questão de interferir na vida dos outros sem considerar o direito de escolha de cada um.

Hoje acolho a Viviane que também já fez isso muitas vezes e pedindo mais empatia é sabedoria e consciência para que isso não se repita.

E deixo para reflexão aqui no blog também um questionamento:

Será que nós temos condições de saber o que é melhor para o outro ou estamos apenas projetando o que achamos que seria o melhor de acordo com as nossas crenças?


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