A maior cura está em aceitar quem somos

Talvez você já tenha ouvido que há algo de errado em você.

Talvez você se cobre ser algo que está fora da sua realidade, não porque você seja incapaz de alcançar, mas porque vai contra a sua essência e você já se machucou demais tentando.

As vezes colocamos em nossa cabeça um modelo ideal de comportamento e queremos alcançar aquele ideal a todo custo.

No mundo existem tantas personalidades fantásticas e por que queremos ter apenas um exemplo? Um único jeito de viver, ser, falar…

Imagine se, de um dia para o outro, as corujas resolvessem virar águias.

Talvez você tenha nascido pra ser uma linda e única coruja que esteja em uma árvore triste querendo virar uma águia porque ouviu a vida toda que esse era o ideal.

O ideal é ser você.

Alguns de nós tem um comportamento mais enérgico, outros são mais tranquilos.

E eu ouso dizer que muitos de nós ficamos tentando abafar as nossas maiores qualidades porque um dia ouvimos que eram defeitos.

Quantos de nós ouvimos que era feio rir alto e um dia descobrimos que são nossas gargalhadas que contagiam todos ao redor?

Quantas de nós aprendemos que deveríamos nos comportar e foi justamente a nossa falta de educação que nos ajudou a responder a alguém que fez um comentário para nos agredir?

Quantos de nós já fomos chamados de loucos e foi a nossa loucura que nos ajudou a seguir em frente acreditando e realizando nossos sonhos?

Quantos de nós já fomos chamados de fracassados e hoje são motivo de orgulho e até inspiração para os outros?

Quantos de nós fomos chamados de burros quando pequenos por aprendermos diferente e descobrimos bem mais tarde que somos bons em outras dezenas de coisas que não decorar uma fórmula de química para uma prova?

Quanto mais amadurecemos mais vemos que sufocar a nossa personalidade e nossa verdade nos adoece mentalmente e fisicamente afinal muitos sintomas que temos em nossos corpos vem da somatização de emoções que tentamos fingir que não existem.

Eu queria muito ser uma pessoa zen 24h e me sentia culpada por não alcançar essa tal perfeição.

Quando comecei com isso de querer me aprofundar no autoconhecimento e na espiritualidade eu ouvi várias listinhas de “o que pode e o que não pode” e na minha cabeça o entendimento foi de que eu deveria virar um robô gratiluz 24h.

E eu fui dessas que tentava abafar sentimento porque atrairiam o mal, mas aí já estaria sentindo medo que atrairia também… ou seja, não era lá uma escolha das melhores.

Eu choro, sinto raiva, fico revoltada quando vejo algumas coisas e respondo com patadas (como dizia a minha mãe algumas vezes), mas também sinto muito do que é considerado “bom” como amor, empatia, compaixão, felicidade…

Acho que o equilíbrio pra mim tem conexão com isso de continuar nadando conforme o mar vai aparecendo na minha frente, ir tendo as experiências necessárias, aprendendo, fazendo escolhas, sentido e lidando com as coisas e como em um grande jogo da vida.

Hoje eu me sinto bem mais tranquila e com muito mas muito mais empatia mesmo do que antes porque cada vez julgo menos os outros por saber que somos um não no sentido romantizado e bonito da palavra, mas enxergando que todos aqui somos humanos e reagimos como tal.

Eu aprendi que o amor é lindo e nos move infinitamente para alcançar várias coisas, mas a raiva e a revolta, por exemplo, também tem o seu valor e muitas vezes são a força de impulso que nós precisamos para sair do lugar e ir pra vida.

Nós precisamos aprender a usar nossas características ao nosso favor mesmo que tenhamos ouvido que nosso jeito é errado.

Nós precisamos começar a ver o bem em nós e cuidar dos pontos que devem ser desenvolvidos com compaixão sem nos achar inferiores aos outros.

Nós precisamos ver quem somos de verdade com os nossos próprios olhos e parar de nos vermos com os olhos dos outros, para que, assim, possamos descobrir a nossa verdade sem usar o julgamento dos outros como parâmetro porque, eu não sei você, mas os absurdos que eu já ouvi sobre mim nessa vida daria pra escrever um livro…


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