o dia que desisti de ter um penteadeira

Depois de ter voltado à casa da minha avó eu tenho repensado muitas coisas sobre a vida.

Uma dessas coisas foi descobrir que eu, que me julgava super desapegada do material, me vi apegada a objetos que me traziam lembranças e acabei descobrindo que essas tais lembranças não precisam de coisas porque elas simplesmente já tem tudo em si mesmas.

Um exemplo gritante disso é o meu caso com penteadeiras.

A primeira recordação que eu tenho de usar uma penteadeira vem lá dos meus 5 para 6 anos na casa da minha vó.

Aquela penteadeira de madeira era bem simples, mas tinha um espelho enorme, perfumes, prendedores de cabelo da minha avó e uma escova de cabelo.

Lembro de me sentar em frente aquele espelho e ficar ali me sentindo uma verdadeira princesa que penteava os cabelos e fazia muitos penteados.

Isso me acompanhou por muitos anos e um dos meus grandes sonhos enquanto adolescente era ter uma penteadeira só minha cheia de maquiagens, produtos e uma escova bem bonita como essas de filmes de princesas.

Por falta de espaço eu só consegui realizar o sonho de ter uma penteadeira quando eu já era adulta.

E não era exatamente uma penteadeira como eu queria, mas era o bastante para eu me sentir aquela princesa da infância novamente.

Depois de um tempo aquela penteadeira foi se tornando algo diferente daquela magia do início porque essa era uma época de ouro daquelas “penteadeiras vintages de blogueiras” e lá estava eu assistindo a vários vídeos de tutoriais de maquiagens e querendo ter uma como a delas.

Aquele sonho tão bonito de trazer o que eu sentia na infância acabou se tornando consumismo e eu nunca fui a pessoa que gosta de usar maquiagens no cotidiano.

Um tempo bem depois quando a minha febre de ser como as blogueiras de makes passou eu até cheguei a ter uma penteadeira com um grande espelho e ela era metade escrivaninha.

Ela tinha aqueles espaços divididos certinhos para pós, bases, pincéis, batons com a porta de vidro… uma lindeza sem fim!

Quantas vezes eu sentei ali e me senti uma princesa como eu me sentia na casa da minha vó? Nenhuma.

Os espaços da penteadeira ficavam vazios porque com a pandemia eu que já não usava maquiagem, simplesmente larguei elas de vez e uma a uma todas foram perdendo a validade e eu tive que jogar várias fora.

E agora vem a parte cômica: eu usava as portinhas de cima da penteadeira como se fosse uma mesa comum e eram bem mais úteis pra eu colocar meus livros e cadernos em cima.

Na última mudança que fiz pra colocar meu notebook e ter um lugar para escrever eu tive que escolher entre ter uma penteadeira com uma escrivaninha ou ter uma escrivaninha em L maior do que a que eu tinha e que caberia tudo que eu tenho e preciso pra escrever, estudar, jogar, ler…

A conclusão que cheguei é que o tanto de maquiagem que eu “preciso” nessa minha vida cabe numa maletinha com 4 gavetas pequenas, e uma portinha em cima onde eu guardo lá meus 2 BB Cream, 4 batons, um delineador, 1 paleta de sombras e 1 creme demaquilante.

Mesmo com a febre consumista que quase tomou conta de mim acabei descobrindo que nunca foi só pela penteadeira em si, mas pelas lembranças que aquele momento de cuidado me trazia.

Sempre foi sobre a conexão que aquele momento na minha lembrança fazia com a minha avó e agora eu seu que não preciso de nada externo para me conectar com ela.

Essa conexão é feita pelo coração.


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