A beleza nos olhos de quem vê

É bem interessante como muitas vezes tentamos colocar em fotografias a beleza dos momentos e nunca conseguimos retratar exatamente o que vimos e sentimos.

Queremos nos apegar ao momento, aquele dia, aquilo que sentimos e os registros por imagens sejam fotos ou vídeos nos trazem lindas recordações sobre o que vivemos, mas é óbvio que recordar no agora nunca terá o mesmo valor de estar lá naquele instante.

Hoje eu tentei (e falhei miseravelmente) algumas vezes tentar tirar uma foto do céu ao entardecer.

Estava meio laranja, meio vermelho, meio rosa… nem consigo descrever direito com palavras de tão lindo que ele estava, mas o bendito celular não chegava nem perto da paleta de cores criada por Deus que eu estava vendo.

Uma câmera melhor e mais moderna talvez pudesse chegar um pouco mais perto de uma cópia fiel, quem sabe?

Não lembro se cheguei a falar aqui no blog, mas eu sou apaixonada pelo céu não importa a hora ele sempre me encanta. Até mesmo nos cinzas que eu demorei décadas para aprender a ver beleza neles, hoje já consigo ver beleza também.

Quando eu era pequena gostava de ficar em cima do terraço de casa a tarde toda olhando o céu e descobrindo desenhos em nuvens (coisa que eu ainda faço até hoje) e nem via o tempo passar.

Com o tempo eu fui perdendo esse hábito de apreciar sempre o céu com o encantamento de antes, mas ele tem voltado de novo e isso tem me deixado muito feliz.

Aquela história de apreciar as pequenas coisas, sabe? Pois é.

Mas voltando as fotografias…

Curiosa essa nossa vontade de registrar as coisas não só para nós, mas para mostrar para os outros o que vimos/sentimos e chega a ser engraçado porque ainda que tivéssemos mesmo as melhores máquinas possíveis para tirar uma fotografia os olhos do outro não captariam o mesmo que nós.

E por quê isso?

Bom, minha mãe sempre dizia que a beleza está nos olhos de quem vê e eu concordo com ela porque o ideal ou, melhor dizendo, a concepção de beleza muda pra cada um de nós.

Um céu laranja pra mim pode ser lindo, e para você que está lendo do lado daí pode não ter nada demais porque depende do que isso significa, dos sentimentos que gera, da interpretação.

Será que seria exagero dizer que isso pode ser estendido pra tudo o que nós julgamos como belo no nosso cotidiano?

Vamos pensar sobre as nossas próprias fotografias. Quantas vezes eu já fiz uma maquiagem até bonitinha no meu rosto e tentei tirar uma foto onde aparecesse aquela boniteza que eu via e quando eu olhava o resultado na foto não era nada do que eu estava vendo?

Muitas vezes o resultado era um verdadeiro fiasco: a luz não estava boa, as cores não ficavam fiéis, o glitter da sombra sumia, o cabelo não estava tão brilhoso quanto no espelho, o tom da pele estava diferente da minha… e não tinha filtro que conseguisse dar um jeito de chegar 100% perto da realidade.

Talvez seja porque nós não enxergamos apenas com os olhos físicos, mas com os olhos da alma que trazem junto todas os nossas emoções quando nos deparamos com algo que os fazem brilhar e que as máquinas não tem a capacidade de captar.

Eu adoro fotografias e até gostaria de praticar mais essa linda arte, mas hoje eu fui relembrada de que tem coisas que não tem como ser eternizadas deste modo (felizmente ou infelizmente dependendo do julgamento de cada um) e está tudo bem porque elas estarão eternizadas nas nossas lembranças.

E que a gente não perca a beleza da felicidade contida em viver os instantes querendo aprisioná-los em registros. Estar presente é o melhor que podemos fazer pelas nossas memórias.


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