notas sobre o caminho do autoconhecimento

Hoje essa frase do Rumi pulou na tela de um app de meditação que eu uso e é com ela que eu começo esse post sobre algumas coisas que aprendi nos meus processos.

A minha visão sobre o “caminho do autoconhecimento” passou por diversas transformações desde o que eu considero como o início desse processo que foi lá por meados de 2005 quando eu conheci o trabalho do Gasparetto e me apaixonei pelo modo como ele me ajudava a entender coisas que eu sentia de um modo mais simples.

De la pra cá são quase 20 anos e eu só fui me apaixonando cada vez mais por esse universo e continuo aprendendo todos os dias.

A posição de aprendiz da vida é muito privilegiada e dela eu não quero e não vou abrir mão dela.

Bom, se me perguntarem se eu caí em alguns discursos sobre a positividade tóxica? Sim, em vários.
Caí no conto dos gurus que se passavam por santos? Sim.
Mas eu também conheci pessoas maravilhosas que contribuíram demais pra que eu me conhecesse melhor e aprendesse a me amar mais também é algumas delas são o próprio Gasparetto, Adriana Souza, Arly Cravo, Jéssica Proença, Gisele Vallin, Paula Quintao… nossa escrevendo aqui vieram vários e vários nomes
Pois é… tudo faz parte do caminho.
Até mesmo essa certa ingenuidade em querer ser uma pessoa melhor indo pelo discurso dos outros que tiveram sucesso e errando muito também me ajudou a perceber que eu precisava acreditar mais em mim mesma e na minha voz interior do que nos outros.

E aqui estão algumas das minhas anotações sobre o que já vivi:

A verdade varia e é mutável

Escrever sobre isso me remete imediatamente a minha primeira aula de filosofia na graduação de Pedagogia onde o professor disse, para nos provocar, “a verdade não existe”.

Na época eu achei bem sem noção aquela frase e as discussões que vieram depois dela, mas hoje, eu acho que entendo perfeitamente o que ele queria dizer.

Para alguns pode parecer só mais um devaneio do povo de humanas, mas faz sentido.

Vamos pensar em como a verdade (ou o que nos gostamos de chamar como tal) é variável de pessoa para pessoa, de país para país, de um tempo para o outro e até mesmo a verdade pra nós mesmos vai mudando e se adaptando quando vamos tendo mais experiências e amadurecendo nossa visão sobre a vida.

E agora vamos parar um pouco e pensar nas coisas que nós considerávamos como verdades absolutas e defendiam há anos atrás e hoje não fazem o menor sentido para nós.

Vou usar um exemplo de um tema bem simples aqui que serve pra ilustrar bem a tal verdade absoluta: música.

Para alguns a verdade absoluta é que metal é a melhor coisa do mundo, para outros é o sertanejo e para outros a música clássica. Quem está certo nessa situação? Todos porque para cada um o estilo de música melhor é o que lhe faz bem.

E nesse exemplo bem corriqueiro nós podemos incluir religião, futebol, o estilo de vida, a alimentação e vários outros assuntos os quais cada um tem a sua opinião e acredita ser a verdade.

Nossos processos de autoconhecimento não nos tornam melhores e nem aptos a julgar ninguém

Essa aqui merece aquela máxima do “seria engraçado se não fosse trágico” porque é muita ironia a gente entrar no caminho do autoconhecimento e Espiritualidade e nos depararmos com o Ego lá se achando melhor do que aqueles que não escolheram o mesmo que nós.
Quantas vezes eu tentei enfiar na cabeça da minha família algo que eu tinha aprendido e eles não davam a mínima… haha
Hoje eu acho engraçado, mas na época eu estava em uma postura bem arrogante e hoje eu já entendo e me perdoo por isso (e espero que eles também).
Prefiro acreditar que era porque eu estava entusiasmada demais com as coisas que eu aprendi e queria compartilhar mesmo que de um jeito bastante desajeitado.
Hoje eu acredito que esse caminho não nos torna melhores do que os outros, mas, sim, melhores para os outros e para nós mesmos.

Aqueles que nos inspiram também são humanos

Essa eu aprendi na base dos sustos mesmo. Na pandemia então… eu lembro que no começo eu entrava no Instagram e via as pessoas que pregavam calma, positividade, tranquilidade, paz, amor e gratiluz pra tudo literalmente surtando como mortais que são.
Isso me ajudou a sair de uma baita ilusão sobre os discursos e as ações das pessoas nas redes e a enxergar elas como humanas que são, assim como eu.
Elas também sentiram medo, também sentiram raiva, também se sentiram sem chão. E, ao menos pra mim, isso não as diminuiu em nada.
Um erro comum nosso é enxergar algumas pessoas como gurus ou mestres que não podem errar nunca e colocá-las em pedestais.
Mas sejamos sinceros, as expectativas que nós criamos mesmo que influenciados por belos discursos é nossa, não é?

Não me culpar por não ser “gratiluz” 24h por dia

Essa era uma cobrança que eu tinha quando comecei a me comparar com os conhecidos gurus do autoconhecimento que pareciam estar sempre em outra dimensão zen e good vibes com incensos e cristais.

Pode ter gente que seja assim? Acredito de coração que sim, mas eu ainda passo longe dessa vibe sempre numa boa e tals.

Eu até comecei a pensar realmente mais positivo e ser menos ranzinza depois que larguei de mão a positividade forçada porque parece que aquela cobrança toda só me deixava numa vibe pior ainda de tanto me julgar e tentar controlar o que sentia o tempo todo.

Sufocar o que nós sentimos não me parece ser a melhor escolha.

No fim acho que esse caminho é, hoje, para mim, uma reconexão com todas as partes que nós temos em nós, mesmo aquelas que nós consideramos feias e gostaríamos de não ter porque, afinal, pra mudar nós temos que no mínimo saber por onde começar.

E por aqui termino esse post com a certeza de que ainda tenho muito o que caminhar.


Um comentário sobre “notas sobre o caminho do autoconhecimento

  1. Eu sou uma dessas que acha que a gente deveria falar mais sobre esse assunto. Seja positividade tóxica, dificuldades no caminho do autoconhecimento, lidar com frustrações, ver nossas manias e valores que nos são importantes…

    Essa sua frase aqui “as expectativas que nós criamos mesmo que influenciados por belos discursos é nossa, não é?” eu achei sensacional.

    Eu também sinto que já fui muito mais ranzinza na vida, mas me conhecendo e sabendo dos meus limites e o dos outros, parei de me cobrar e esperar tanto de pessoas/coisas que eu não tenho controle. A vida flui muito melhor quando nos sentimos mais “leves”, né?

    Abraços

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