por uma gratidão sem o peso da culpa


“Você tem que agradecer tem gente muito pior do que você no mundo” ou “Você tem que agradecer tem gente que está sofrendo muito mais do que você agora.”

Esses são alguns exemplos de frases ou discursos onde a gratidão nos é apresentada como algo obrigatório nos nossos piores momentos sendo praticamente proibido reclamar ou nos sentir mal e nesse contexto ela vem em um combo com peso e a culpa ofertados discretamente, é claro.

A que ponto chegamos? Temos que negar as nossas emoções para sermos pessoas gratas?

Será que nós estamos mesmo começando agradecer mais porque somos gratos de fato ou é só algo automático gerado pelo sentimento da culpa?

Eu vi um vídeo em um canal que eu gosto muito onde essa questão foi tratada de um jeito mais leve e com humor, mas eu não ficaria muito surpresa entendesse que há vários relatos de pessoas que já passaram por algo bem semelhante a isso.

No vídeo, são mostradas várias situações que são consideradas ruins e que, quando são compartilhadas com uma pessoa positivamente tóxica sempre falava algo como “agradeça pelo menos blá blá blá…”

Eu ouvi isso muitas vezes durante a minha vida.

Se sentir mal comentar algo ruim que nos acontece parece inaceitável porque, afinal, Deus me livre, se eu achar que algo não está bom ou quiser melhorar, isso seria porque eu estou sendo ingrata com todo o resto na minha vida.

E uma das mais descabidas foi quando minha mãe faleceu e eu ouvi um: “pelo menos ela não sofreu”.

Esse “pelo menos” em um momento tão sem noção não apagaria e nem melhoraria a dor que eu estava sentindo.

Não, eu não queria que a minha mãe sofresse, é óbvio que não, mas eu tinha o direito de ficar triste, de ter raiva, de ficar revoltada sim e agradecer por Deus levar a minha mãe “sem sofrer” era, no mínimo, inimaginável pra mim naquele momento e que bom que eu não abafei o que estava sentindo levada pela culpa.

Esses dias eu estava refletindo bastante sobre essa obrigação e peso que estão colocando na Gratidão.

Só porque vez ou outra ficamos tristes, injuriados, revoltados, chateados não quer dizer que somos ingratos. É normal sentir coisas assim nesse nosso mundo e isso não apaga e nem invalida tudo o que nós já temos gratidão em nossa vida diariamente.

Cada dia mais eu tenho percebido que os outros até podem até invalidar os nossos sentimentos, as nossas queixas, as nossas dores, mas nós não.

É preciso sentir o que tivermos que sentir e parar de tentar sufocar tudo para parecermos “mais iluminados”.


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